Palmeiras perde de novo e jogo com Internacional não é anulado

O STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) frustrou, com certa ironia, os planos do Palmeiras de conseguir disputar uma nova partida contra o Internacional, em jogo válido pelo Campeonato Brasileiro. Nesta quinta-feira, os membros do tribunal julgaram improcedente o pedido de anulação do jogo ao descartar influência externa para determinar a decisão da equipe de arbitragem em anular o gol de Barcos, em lance com a mão. Com isso, a vitória colorada por 2 a 1, conquistada no Beira-Rio, no dia 27 de outubro, está mantida.

Com isso, o Palmeiras, fica com 33 pontos, na 18ª colocação e continua na zona de rebaixamento. O alviverde ainda tem quatro jogos para tenta tirar os sete pontos de diferença e tentar escapar da queda para a segunda divisão.

O julgamento, que por vezes contou com clima de tensão tenso, teve primeira prova apresentada pelo Palmeiras. Na transmissão do jogo pela TV Bandeirantes há um trecho do vídeo onde a repórter Tayná Rodrigues comenta que o delegado do jogo perguntou aos jornalistas se o lance havia sido de mão. O Internacional, por sua vez, rebateu com áudio e imagens da TV Globo, onde não existem comentários nesse sentido.

Em seguida, Barcos foi chamado à sala do tribunal para explicar o lance. O argentino confirmou que de fato tocou com a mão na bola, porém, após falta do zagueiro Índio. O atleta rechaçou ter marcado de forma intencional e disse não ter ouvido o árbitro pedir ajuda externa para definir a anulação, pois, como estava pendurado, se afastou do tumulto.

Depois foi a vez do árbitro Francisco Carlos Nascimento ocupar o lugar de Barcos. Questionado de forma dura pelo advogado do Palmeiras, confirmou o erro por ter validado o lance a princípio. Em seu relato, ele diz que quatro árbitro – doze segundos depois – o notificou sobre o gol marcado de forma ilegal. A demora em recomeçar o jogo, segundo Nascimento, aconteceu por causa da sua tentativa em saber o jogador que colocou a mão na bola.

O quarto árbitro Jean Pierre Gonçalves Lima apenas concordou com a versão de Nascimento. O delegado do duelo, Gerson Baluta, também falou sobre o lance. Com direito a ironia para explicar a distância em que estava para o polêmico lance, ele descartou influência na decisão da equipe de arbitragem em anular o gol de Barcos.

“Se alguém tiver imagem em que eu esteja a menos de dez metros dessa repórter, quero ver”, disse ele.

Após uma pausa, o julgamento foi retomado e o advogado do Palmeiras usou o lado emocional para tentar convencer Zveiter da idoneidade de Taynah Espioza. “Ela é, inclusive, gaúcha, sobrinha do ex-técnico Espinosa, que treinou o meu Botafogo e o seu Botafogo”, disse José Mauro Couto.
Para se defender, o advogado do Internacional, Daniel Cravo, explicou que o Palmeiras não respeitou alguns procedimentos legais na hora de apresentar provas e ainda lembrou que outros clubes estavam interessados naquela decisão. Por fim, ele desqualificou os argumentos do advogado palmeirense.

“É quase uma leviandade dizer que três profissionais vieram aqui mentir (em relação ao delegado e árbitros), em troca de aceitarmos notícia da imprensa. Poderia trazer aqui 400 outras notícias que diriam outra coisa a respeito do fato”, afirmou Daniel Cravo.

Por fim, foi a vez dos membros do STJD confirmarem que a vitória nos bastidores seria do Inter. “Tanto não houve influência externa que, após cinco minutos, mesmo com toda a imprensa sabendo quem marcou o gol de mão, a arbitragem não teve conhecimento disso”, afirmou Paulo Schmitt.

Entenda o caso

O gol de mão de Hernán Barcos na partida entre Internacional e Palmeiras, no dia 27 de outubro, gerou uma grande confusão. O Palmeiras pediu a anulação do resultado – derrota por 2 a 1 – ao argumentar que o delegado da partida, Gerson Baluta, usou ajuda eletrônica externa para dar a informação ao trio de arbitragem, liderado porFrancisco Carlos Nascimento, de que o atacante argentino havia tocado com a mão na bola para empatar a partida.

O gol foi anulado após muita discussão no gramado do Beira-Rio, com mais de seis minutos de conversa tensa entre jogadores e arbitragem – no primeiro momento, o juiz confirmou o empate em 2 a 2. O Palmeiras reagiu à decisão final e levou a partida para os tribunais. O STJD acatou o protesto legal e pediu que a CBF suspendesse a vitória do Internacional até que o caso fosse julgado.

Apesar de todos os incidentes durante a partida, Francisco Carlos Nascimento afirmou que “nada houve de anormal” no confronto entre Internacional e Palmeiras, em relato na súmula.

Murillo Del Vaz Lopes

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