A Europa não é logo ali: é aqui

Por André Dayan e George Raposo

Hoje, é fácil perceber a influência do futebol europeu na cultura esportiva do brasileiro. Basta andar pelas ruas de qualquer grande cidade do país para notar a onipresença de camisas de times do velho continente. É o crescimento – até vertiginoso – do número de torcedores – e novos apaixonados – por times de outras localidades.

Torcida do Arsenal BR em encontro em São Paulo (Foto: Reprodução / Arsenal BR)

Torcida do Arsenal BR em encontro em São Paulo (Foto: Reprodução / Arsenal BR)

A internet tem sido uma grande ferramenta que auxilia a popularidade das equipes. Sites não-oficiais, perfis no Twitter e muitos e muitos blogs ajudam na aproximação de pessoas com um mesmo interesse: torcer. Um exemplo é a “Real Madrid Brasil”, no Facebook. Criada em outubro de 2012, já recebeu adesão de mais de 70.000 pessoas.

Outro destaque no mundo virtual provém do clube inglês Manchester United. O time possui um dos sites mais organizados entre equipes do Velho Continente ao apresentar conteúdos relativos ao time, além das seções “Rádio ManUtd BR” e “ManUtd BR TV”, que fornecem conteúdos autorais. Agora, a intenção dos responsáveis pelo site também é a abertura de uma loja online especializada.

Esse acréscimo nada desprezível de simpatizantes se deve, em grande parte, ao crescimento do acesso à TV por assinatura no país. Atualmente, existem 15,4 milhões de domicílios com este serviço no território nacional, número 188% maior em relação a 2007. Isso mostra que a tendência é que o povo brasileiro tenha cada vez mais acesso às transmissões de partidas válidas por competições internacionais, que ocupam grande parte da grade de programação dos canais fechados especializados em esportes.

No final de semana entre 22 e 24 de fevereiro, por exemplo, foram 30 transmissões inéditas de jogos válidos por campeonatos estrangeiros, sem contar as reprises. No mesmo período, a TV fechada exibiu apenas cinco partidas disputadas no Brasil (sem contar o Pay-per-view).

Em um relatório elaborado pela Pluri Consultoria, o economista e especialista em gestão e marketing do esporte Fernando Ferreira garante que há uma mudança de comportamento do próprio torcedor. “A TV a cabo está começando a fazer, com o torcedor brasileiro, o que o rádio e a TV fizeram no passado com os torcedores de centros regionais em que os principais clubes não eram tão fortes quanto os do eixo Rio-SP”, afirma.

Ademais, qualquer cidadão munido de um dispositivo com conexão à internet tem condições de acompanhar, em português, sobre qualquer time do mundo. “E quanto mais a TV por assinatura se popularizar, maior será a influência do futebol e dos times estrangeiros sobre o Brasil”, diz Ferreira.

Alguns dos principais times europeus possuem até verdadeiras torcidas organizadas no Brasil. Uma delas é a Penya Barcelonista de São Paulo . Fundada em agosto de 2004 por um grupo de integrantes do Catalonia (Centro de Cultura Catalã de São Paulo), a Penya foi o primeiro fã-clube do Barcelona no Brasil.

A torcida se reúne na maioria dos jogos do clube espanhol em um bar da Vila Madalena, bairro da zona oeste da capital paulista. “Para nós, que vivemos longe da Catalunha, era muito difícil acompanhar os jogos do Barcelona em casa, sozinhos. Por isso resolvemos nos reunir para assistir aos jogos da equipe, o que acaba sendo uma forma de voltar a ter contato direto com a nossa terra”, diz Ferran Royo, presidente da Penya Barcelonista de São Paulo.

Espanhol, Royo diz que qualquer torcedor ou simpatizante do Barça é bem-vindo no grupo. “Muita gente tem receio de entrar para a torcida porque acha que nós somos uma ‘panelinha’ que só conversa em catalão. Mas isso não é verdade, tanto que, hoje em dia, a maioria dos membros da Penya são brasileiros”, diz ele.

As palavras de Royo puderam ser confirmadas na partida do Barcelona diante do Milan, disputada no último dia 20 de fevereiro, válida pelas oitavas-de-final da Liga dos Campeões da Europa e que foi acompanhada pela reportagem ao lado dos integrantes da Penya. A maioria dos presentes era brasileira. Um dos poucos que estavam com a camisa do Barcelona (talvez pelo fato de a partida ser em uma tarde de quarta-feira) era Lucas. Integrante da torcida desde 2010, ele diz que acompanha a maioria dos jogos no local e que não é apenas um simpatizante da equipe catalã. “Eu não torço para nenhum time do Brasil, apenas para o Barcelona”, garante.

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