A volta do Castelão e o renascimento do futebol maranhense

Por Rafael Arrais

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Disputar uma partida no estádio que lhe pertence é um elemento nada desprezível no futebol brasileiro. No caso dos times do Maranhão, então, participar de um duelo no Estádio Castelão é sinônimo de vitória – sobretudo a nível nacional. O ano de 2012 mostrou aos torcedores maranhenses que o campo do Gigante do Outeiro da Cruz, como também é conhecido o Estádio Governador João Castelo, tem forte influência para campanhas vitoriosas das equipes locais. Depois de oito anos fechado, o Castelão foi o principal palco da conquista inédita do Série D – e de forma invicta – pelo Sampaio Corrêa, ratificando a fama de cenário perfeito dos êxitos das equipes locais, popularmente conhecida como ludovicenses.

Inaugurado em maio de 1982, o Castelão surgiu como alternativa ao acanhado Nhozinho Santos, arena municipal localizada na área central da capital São Luís. Com o crescente interesse de expansão do futebol ludovicense, o Castelão foi construído com um objetivo: reunir mais torcedores. Com capacidade para 75.000 pessoas, o novo estádio, além de alavancar públicos locais, tinha condições de receber grandes jogos, sobretudo da seleção brasileira. Por três décadas, o Gigante do Outeiro da Cruz foi palco de quatro jogos do selecionado canarinho, sempre com presença marcante de público, como o jogo contra a Iugoslávia, em 1998, quando o estádio recebeu cerca de 100.000 torcedores. Foi a estreia de Vanderlei Luxemburgo no comando da equipe. O duelo terminou empatado por 1 a 1.

Além de jogos importantes, clássicos locais e campanhas memoráveis das equipes maranhenses marcaram a história do local. Há, contudo, uma especial: 1997, quando o Sampaio Corrêa sagrou-se campeão invicto da Série C. Imbatível em seus domínios, o tricolor maranhense ainda venceu a Copa Norte em 1998 e alcançou até as semifinais da Copa Conmebol, quando foi eliminado para o Santos, em jogo que marcou o maior público da história do estádio: 105.000  torcedores estiveram presentes na derrota por 5 a 1 para a equipe paulista.

Apesar de nunca ter conquistado títulos de destaque no cenário nacional, o Moto Clube de São Luís sempre fez boas campanhas e era presença constante nas Séries B e C jogando no Estádio Castelão, além de brigar pelos títulos regionais com o Sampaio Corrêa. Mas a partir de 2004, o futebol maranhense entrou em um grande declínio, com suas equipes perdendo representatividade. Coincidentemente, essa decadência ocorreu concomitantemente em que o estádio começava a ser fechado.

Estrutura comprometida, descaso e recuperação

Em 2004, o então governador do Maranhão, José Reinado Tavares (PSB), fechou as portas do estádio. A razão, na época, era evidente: estrutura comprometida e arquibancadas corriam risco de desabamento. Apesar da ordem de fechamento, o local só foi receber obras necessárias para a utilização em 2007, quando Jackson Lago (PDT) assumiu o governo do Estado. Sem previsão de entrega, o Castelão passou ainda por um problema político, já que, a governadora Roseana Sarney – pós assumir o governo do estado – mandou, em 2009, paralisar a obra em função das suspeitas de desvio de dinheiro público.

Confira também o retrospecto do Sampaio Corrêa nas edições do Brasileiro

Resolvidas as pendências políticas, o estádio Castelão retomou suas obras e voltou a funcionar em outubro de 2012, como parte das comemorações pelos 400 anos da cidade de São Luís. Apesar do público reduzido – o local passou da capacidade de 75 para 40.000 pessoas – o novo estádio obteve melhorias e se enquadrou nas exigências de segurança e estrutura da Fifa. Cadeiras anti-vandalismo, catracas, recuperação das cabines de rádio e TV, 22 câmeras, adaptação total às pessoas com deficiência, além de nova iluminação e placar eletrônico foram instalados.

O presidente da Federação Maranhense de Futebol (FMF), Antônio Américo, ressaltou a possibilidade do Castelão ser uma sub-sede na Copa do mundo de 2014. “Hoje temos condições de receber qualquer jogo de futebol, inclusive da Seleção Brasileira. A Fifa tem um padrão de estádio, que exige para receber qualquer seleção, e com o Castelão nos credenciamos para ser uma sub-sede da Copa do Mundo. O futebol maranhense está crescendo e é importante que o público tenha uma praça esportiva moderna, confortável e segura”, destacou Américo.

Castelão pé quente

O Gigante do Outeiro da Cruz ficou conhecido em 2001 como estádio pé quente, principalmente depois que o Brasil derrotou a Venezuela pelas eliminatórias da Copa do Mundo, garantindo assim vaga para a Copa da Coréia do Sul e o Japão, onde se sagraria pentacampeão do Mundo. Depois do hiato de quase uma década, o retorno triunfal. O Sampaio Corrêa, único representante maranhense no Campeonato Brasileiro da Série D, fez boa campanha na primeira fase do torneio e terminou em primeiro lugar no seu grupo.

O primeiro jogo das oitavas de final da competição foi realizado no Castelão e contou com o estádio lotado, com as 40.000 vagas preenchidas. Com a força da torcida, o tricolor maranhense foi avançando na competição. O título invicto foi destaque na mídia nacional, sobretudo pela festa que os fanáticos faziam nas arquibancadas.

Com a campanha vitoriosa e o Castelão como aliado, o time maranhense obteve a quinta maior média de público entre os times de todas as divisões do futebol brasileiro, levando 19.884 torcedores por jogo na competição. Mesmo podendo contar com o campo do Castelão apenas metade do torneio, a equipe obteve média melhor do que 17 times da primeira divisão.

Vida nova para o futebol maranhense

O secretário de Esporte e Lazer do Maranhão, Joaquim Haickel, destacou que a recuperação do Castelão pode produzir frutos para o futebol maranhense. “Sem o Castelão nós não poderíamos tentar só erguer o futebol maranhense. Com o estádio totalmente recuperado, nós poderemos congregar as forças que fazem o futebol no estado: a torcida comparecendo, os clubes com boa administração, a Federação Maranhense com transparência e ação efetiva do Governo do Estado, agindo para ajudar o futebol”, ressaltou o secretário.

Com a volta do Estádio Governador João Castelo, o título invicto da Série D pelo Sampaio Correa e a participação de mais uma equipe em competições nacionais – o Maranhão Atlético Clube irá disputar a Série D em 2013 – o futebol maranhense tem tudo para voltar a figurar nas principais competições do futebol brasileiro. Além de arrecadar mais, os clubes podem se prevalecer do fator campo, do apoio da torcida e da mística que o Gigante do Outeiro da Cruz possui, para ajudar as equipes locais. Quem agradece é o torcedor ludovicense, que espera poder acompanhar ainda muitos títulos com festa da torcida e estádio lotado no reformulado Castelão.

Foto: Encantos do Maranhão.

 

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