Pirataria, o “câncer” do mercado esportivo brasileiro

Por Zuba Ortiz e Guilherme Dorini

Recentemente, o investimento dos clubes em ações de marketing deixou de ser uma tendência ao se tornar uma obrigação. As principais equipes do mundo têm nesse departamento uma forma de potencializar suas receitas e facilitar suas administrações.

Com a profissionalização do esporte no Brasil, o marketing também cresceu e ajudou equipes a encontrarem novas formas de aumentar suas receitas, fugindo das tradicionais vendas – sejam elas de ingressos ou de jogadores. As placas de publicidade e venda de pacotes diferenciados para sócios-torcedores são apenas algumas das estratégias que mudaram as estruturas dos clubes. Outra ação importante, já explorada por alguns clubes, é o licenciamento de produtos.

A tática promove vantagens, como a transferência dos valores da marca, menor investimento na criação, diversificação do portfólio, entrada em novos segmentos, faturamento adicional e redução do tempo para atingir o consumidor final. Com a aproximação dos dois principais eventos esportivos do planeta – a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos -, o mercado varejista já começa a se movimentar.

Em março, os primeiros produtos licenciados chegam ao mercado brasileiro, a maioria relacionado à Copa das Confederações e depois à Copa do Mundo. O desafio, agora, é se preparar para a produção maciça de materiais piratas.

Em todas as edições de Mundial, a FIFA firma contrato com uma empresa responsável por licenciar todos os produtos da competição. No Brasil, a companhia escolhida foi a Globo Marcas – que já fechou contrato com 34 marcas e deve licenciar mais de 1500 produtos.

Para a FIFA, é importante combater a pirataria não apenas pelos seus parceiros nos eventos, mas tambémem função dos 10% que arrecada a cada produto licenciado que é vendido. E para fazer valer essa proteção contra a pirataria, a entidade máxima do futebol se apoia na Lei Geral da Copa, que prevê multa e prisão para quem reproduzir, imitar ou falsificar quaisquer símbolos oficiais da Fifa.

De acordo com números divulgados pela consultoria Global Sport Networks, o setor arrecada anualmente entre oito a dez milhões de reais somente no Brasil. Para o diretor da Associação Brasileira dos Lojistas de Equipamentos e Materiais Esportivos (ABRALEME), Rene Djkeim, a realização dos dois eventos pode provocar um aumento de até 15% na venda dos destes produtos. “Na realidade, o mercado esportivo já cresce cerca de 3 a 4% anualmente. No período da Copa do Mundo, esse número pode chegar em até 15%”, afirmou Djkeim.

Se por um lado, a realização da Copa do Mundo e da Olimpíada inflaciona o mercado varejista de artigos esportivos, por outro, traz à tona outro problema: a pirataria. A pirataria é um problema presente na cultura brasileira. O alto preço dos produtos licenciados e facilidade de acesso aos produtos falsificados são as maiores incentivadores para o consumo de produtos piratas.

Segundo relatório publicado pelo Ministério da Justiça, de 2004 até julho de 2011, foram apreendidos mais de sete bilhões de materiais ilegais. Desse valor, cerca de 10% são de artigos esportivos. Para o diretor das lojas Esporte Clube e Cidade do Esporte, Fábio Anauate, é o alto preço dos produtos originais que acaba incentivando o consumo de produtos piratas. “Se hoje, uma camisa pirata custa no máximo R$ 50, variando entre R$ 35, R$ 40, para R$190, não é só querer comprar, o cara precisa poder. É pouca gente que pode pagar isso, aí fica uma situação difícil. Os culpados são as marcas que fabricam as camisas, porque você acha que uma camisa precisa custar o que ela custa pra mim? Me custa R$ 90, R$ 95, não tem cabimento! Fabricar uma camiseta não custa mais do que R$ 20!”, desabafou.

Para tentar reverter este cenário, os clubes de futebol criam alternativas para amenizar o problema. O Corinthians, por exemplo, inaugurou em 2008 a sua própria rede de lojas, a “Poderoso Timão”, que atualmente tem mais de 120 franquias em todo o Brasil.

Onde estão as lojas oficiais do Corinthians, a ‘Poderoso Timão’?

Além de materiais esportivos oficiais da Nike, as lojas vendem produtos a preços populares produzidos por empresas como a Poá Têxtil, que em 2008 confeccionou a camisa “Eu Nunca Vou Te Abandonar”. Com o valor de R$ 39,90, foram vendidas mais de 100 mil unidades, comprovando o sucesso da iniciativa.

De acordo com o diretor de marketing do Corinthians, Luis Paulo Rosenberg, a produção de linhas populares é uma ótima alternativa para aumentar o faturamento dos clubes. “Hoje nós conseguimos ter uma linha de quase 80 camisetas alternativas, vendendo a um preço acessível. Você tem que seguir o mercado, precisa ter um custo de produção mais barato somado a um produto de qualidade”.

Crescimento da ‘Poderoso Timão’

Ainda segundo Rosenberg, as ações para diminuir o consumo de produtos pirata entre os torcedores do Corinthians vêm surtindo efeito. “Vai ao estádio do Corinthians e vê quantas camisas pirata você encontra. Não chega a 20%! Isso aconteceu em um curto espaço de tempo, o que mostra que essa foi uma sacada muito legal” finalizou o diretor.

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